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O Longo Inverno - Sessão 2

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Mensagem por tiagovip Sex Out 11, 2013 11:43 am

Olá, pessoas!

Aproveitando que o grupo permanece separado, o Rafael e eu marcamos uma sessão de forma a prosseguir a linha dele até o eventual ponto de encontro.

Thordir

Thordir, Modrow e Bertok seguiram até o único ponto de travessia de lago a leste. Existe ali uma guarnição da guarda da cidade, composta de uma casa longa de cômodo único que faz o serviço de quarto, cozinha, depósito e sala de refeições, e um estábulo para montarias, algum gado e um galinheiro. A guarnição é cercada por uma paliçada de madeira, entrelaçada com arbustos espinhosos. Bloqueando a trilha havia um portão sólido, de madeira reforçada com barras de ferro. Quando os três anões ali chegaram, o portão estava barrado. Thordir chamou por alguém e a porta da casa abriu-se. O chefe daquele guarnição apresentou-se como Geon e questionou quais eram os negócios dos anões tão longe de suas montanhas e àquela hora. Porém, sem esquecer a educação, Geon convidou os anões a adentrarem a casa, para fugirem do tempo frio e da neve, antes que as explicações fossem dadas. Também antes que falassem, aos anões foi cedido um pedaço de carne assada e queijo servido em cima de uma fatia grossa de pão. Os anões, mesmo alimentando-se de rações secas e geladas por vários dias, comeram mais por educação, pois sentiam ser de pouca honra refestelarem-se enquanto dois amigos passavam frio e comiam parcamente. Assim, após algumas mordidas, Thordir apresentou seu caso: precisavam atravessar o lago o quanto antes, pois um de seus companheiros estava doente.

Quando da menção da doença, os bom humor que havia no ambiente sumiu. Os guardas, quatro homens, e dois navegadores da balsa, olharam para Geon, e o receio imperava. Geon disse que não iria permitir a travessia e que os três anões deveriam, antes de poder partir, realizar um teste simples, mas efetivo, que o povo descobriu quando a peste afetara a cidade meses atrás. Uma frigideira foi trazida e colocada sob o fogo para esquentar. Enquanto isso ocorria, Thordir argumentou que tiveram cuidado com o afligido e para com eles também, de forma a evitar contato demasiado com a doença. Geon replicou que era o que eles iriam ver. Quando o metal estava quente, Geon pediu - mas seu tom e as reações dos guardas, que colocavam, lentamente, as mãos sobre as armas, foi claro que fariam por bem, ou por serem forçados - para que os anões sangrassem, um por vez, na frigideira. A explicação para isso é que o sangue de um doente queima com um odor ruim, fétido. Thordir viu que Bertok e Modrow estavam ofendidos pela desconfiança diante da palavra anã, e reclamaram em khuzdul. Thordir, não querendo que atos de violência ocorresse entre eles e os homens, ainda mais por saber que precisavam chegar - e esperar - em Esgaroth, foi adiante e, com sua própria faca, abriu um talho na mão esquerda, deixando o sangue escorrer na direção do metal aquecido. O sangue chiou e queimou e nenhum odor diferente foi sentido. Modrow e Bertok seguiram seu líder e ambos tiveram o mesmo resultado. Geon, aliviado, assegurou que, de qualquer forma, não autorizaria a travessia, mas enviou Martan e seu filho, para levarem a balsa até a cidade e conseguirem alguma ajuda. Como a travessia é lenta, ainda mais à noite, e o retorno certamente não seria mais rápido, Geon ofereceu ao anões hospedagem pela noite, a qual eles recusaram, preferindo passar a noite com os seus. Thordir observava que o pus corria denso e a necrose ganhava terreno - ainda assim era preciso esperar.

Pela manhã, um herborista, de nome Ingen, veio junto de Geon e alguns guardas, até o acampamento dos anões. Após conversar com Thordir e avaliar Kemik, Ingen disse que não havia nada que pudesse fazer para reverter aquela situação. Apenas a morte aguardava Kemik e o que Ingen pôde oferecer foi algumas ervas para reduzir a dor, que logo viria, e outras para ajudar ao doente comer e dormir. Thordir reforçou que Ingen não conhecia a resistência dos anões e que Kemik poderia, sim, sobreviver. Então Thordir falou do ataque que sofreram e Ingen duvidou da exatidão do ocorrido, pois os afligidos pela praga, quando estavam naquele estado, mal e mal podiam falar, quanto mais andar e lutar. Thordir retrucou que assim era e que ele poderia ir atrás dos corpos se quisesse ver. Ingen ponderou e avaliou que assim deveria ser. No dia seguinte, Ingen, Geon e mais seis guardas, junto de Modrow, que iria como guia, seguiam pelo caminho feito pelos anões. Thordir, Bör e Bertok permaneceram com Kemik. Nos dias que se seguiram, Kemik piorava, sofrendo espasmos de dor, e tendo a mente perdida - falando com os anões sobre o passado como se fosse atual, e do local que estavam como se estivessem em outros. Bör, o mais antigo amigo de Kemik, sofria quase tanto quanto seu amigo, e preferia passar os dias e noites afastado, trabalhando junto dos humanos para pagar pelos suprimentos que os humanos dariam, mas os anões preferiam a troca.

Após um breve período de melhora, que Ingen já avisara que ocorreria e não deveria ser confundido com real cura, Kemik voltou a piorar e a dor parecia ser terrível, vindo em ondas e provando gritos terríveis. Thordir e Bertok estavam exauridos, quase sem dormir, tanto por preocupação quanto por impossibilidade, diante dos berros de Kemik que vinham sem aviso. Na noite de oitavo para o nono dia, Thordir despertou de um sono febril, para ver Kemik de pé, diante da fogueira. Kemik dormia longe dos outros, cerca de 20 e tantos metros, num outro acampamento. Thordir achou estranho e, pegando seu machado, seguiu até Kemik. Thordir temia que, como os humanos que os atacaram na estrada, Kemik poderia ser afetado pela doença e atacá-lo. Kemik, no entanto, parecia razoavelmente lúcido. Uma conversa ocorreu, em que Kemik falou de algumas coisas que preocuparam Thordir. Ao final, Kemik pediu por uma faca, dizendo que precisava extirpar a doença que o devorava. Thordir negou o pedido e ofertou que, se Kemik não quisesse causar problemas a ele, nem feri-los, deveria aceitar ser amarrado. Thordir garantiu que, se necessário fosse, faria o que era preciso. E preciso foi. Pois, perto da manhã, Thordir notou que Kemik estava por demais ativo e viu, com horror, que Kemik tentava roer as cordas. Thordir não mais reconheceu seu companheiro e amigo naquela criatura que mordia as cordas e que vomitara sangue e bile sobre si. Com grande pesar, Thordir atravessou o corpo de Kemik com sua espada, não antes que aquele ser, que Thordir não chamava mais de Kemik, cuspisse em Thordir. A espada fez o tétrico serviço e o corpo de Kemik estava morto.

Após Thordir se limpar com neve e água quente, Bertok e ele decidiram cremar o corpo de Kemik, antes de enterrar os ossos. Bör, quando retornou da guarnição, pela manhã, foi abalado como se recebesse um golpe de machado e seu pesar foi intenso e profundo. Bör acompanhou a incineração e, depois, sozinho cavou fundo, no solo quase tão duro quanto pedra, uma cova para seu amigo. A noite, enquanto faziam a vigília pelo amigo, Bör saiu na noite e, pela manhã, retornou com uma pedra grande, entalhada em cirth - um trabalho tosco, feito sem cinzel nem malho, e tampouco Bör tinha a habilidade dos mestres entalhadores. Mas o sentimento fora cumprido e a lápide posta em cima de onde Kemik, junto de seu martelo, foi enterrado. Na lápide, aos que conheciam as letras, lia-se: "Aqui jaz Kemik, filho de Prerin, filho de Frár, morto com grande honra".

No dia seguinte, o grupo de Ingen, Geon e Modrow retornou. Um cavalo vinha sem cavaleiro e Thordir soube que eles haviam sido atacados durante uma noite, quando já retornavam, após encontrarem os cadáveres. Um dos guardas teve o olho furado pelos dedos de um dos atacantes, e Geon, após a morte rápida dos dois atacantes, ordenou a morte e cremação do ferido. Geon e Ingen perceberam a lápide e expuseram seu pesar, Modrow ajoelhou-se ao lado do local do enterro e ali permaneceu pelo resto do dia. Ingen afirmou que, se a doença estivesse no corpo dos anões, já teria se desenvolvido, então poderiam atravessar com ele para Esgaroth. Thordir disse que tinham ainda algumas coisas a fazer ali, mas pegariam a primeira balsa quando terminassem. Em verdade, Thordir temia estar infectado.

Tantos problemas e eles sequer tinha chegado efetivamente em Esgaroth.

******

E foi isso!

Abs,


Última edição por tiagovip em Sex Out 11, 2013 11:57 am, editado 1 vez(es)

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Mensagem por doizinho Sex Out 11, 2013 11:52 am

Realmente não está fácil pra ninguém, se tivemos anão matando anão é porque a coisa foi feia.

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Mensagem por tiagovip Sex Out 11, 2013 3:00 pm

@doizinho escreveu:Realmente não está fácil pra ninguém, se tivemos anão matando anão é porque a coisa foi feia.
É... espere quando começarem a comer carne de cavalo.

Abs,

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Mensagem por Rafaelfo Ter Out 15, 2013 10:03 am

Foi uma ótima sessão. Há tempos não fazia uma sessão solo tão longa e divertida. O Perretto fala que é Tolkien e jogamos umas 2h30 que passaram bem rápido!

A história está bem dramática e infelizmente com um revés imenso para os anões. O Thordir tinha esperanças que o Kemik se recuperasse e que os anões tivessem uma casca ainda mais grossa contra essas aflições, mas além de uns dias a mais de sobrevida, nenhum milagre aconteceu. Tal incidente entretanto despertou um maior senso de urgência para completar a missão dos anões.

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