Defenders of the Realm - impressões & comparações

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Defenders of the Realm - impressões & comparações

Mensagem por tiagovip em Qua Ago 29, 2018 5:11 pm

Olá!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em uma partida em 4 pessoas. Esta resenha será um pouco diferente, pois focarei em várias partes mais em comparações com dois jogos: o Pandemic e o Darkest Night (First edition).




O básico das regras:

No Defenders of the Realm enfrenta-se a ameaça da Escuridão, na forma de quatro generais: uma fêmea dragão azul, a Safira, um campeão orc, o Gorgutt, um morto-vivo de grande poder, o Varkolak, e um demônio, o Balazarg. O Reino conta para isso com a ajuda de Heróis, que unem-se na luta contra os generais e seus servos, tentando impedir que eles corrompam a terra além da recuperação e que os generais e suas tropas alcancem a Cidade Monarca, a capital do Reino.

Mecanicamente isto acontece da seguinte forma: no turno do jogador o mesmo terá uma quantidade pré-definida, de acordo com o tipo de herói, de ações disponíveis para serem utilizadas. Ações disponíveis:

- Mover-se: custa 1 ação por espaço. O movimento pode ser modificado com o uso de cartas, podendo ampliar o movimento para 2 espaços (gastando 1 ação e uma carta com o ícone de Cavalo), para 4 espaços (gastando 1 ação e uma carta com o ícone de Águia), ou teleportando-se com o uso de Portais (vai de um Portal a qualquer outro ao custo de 1 ação);

- Atacar: custa 1 ação por ataque. O jogador rola o número de dados igual ao número de servos no espaço, e se rolar igual ou superior ao número exigido, elimina o servo. Por exemplo, se o herói atacar 2 orcs (verdes), ele rolará precisará 2 dados e para cada 3 ou mais que rolar, eliminará 1 orc. Caso elimine somente um, e ainda tenha ações sobrando, ele poderá atacar novamente, usando agora só 1 dado (porque só tem 1 orc) e, caso role 3 ou mais, o matará;

- Colher rumores: custa 1 ação (pode ser realizada um máximo de duas vezes por turno). Para isto é preciso estar em uma Taverna (um tipo de localidade especial no tabuleiro). O jogador nomeia uma cor (vermelho, azul, verde ou preto) e revela 4 cartas - todas que forem da cor nomeada ele pega, e pega também quaisquer cartas especiais que aparecerem;

- Ativar ações de cartas de Missão que custam 1 ou mais ações para serem ativadas. Certas missões exigem o gasto de 1 ou mais ações para que sejam ativadas. Por exemplo, na missão para encontrar o Unicórnio, o herói precisa estar na Floresta dos Unicórnios (dã), e para cada ação que gastar, rola um dado. Se o jogador rolar 5 ou 6 (com mais dados - usando mais ações - a chance será maior), encontra o Unicórnio e cumpre a missão. Caso falhe em uma Missão, o jogador perda a carta de Missão e pega outra para substituí-la;

- Usar habilidades especiais de classe - aquelas que custam ações, claro. Certas habilidades modificam ou acrescentam ações possíveis aos heróis. O Mago, por exemplo, pode se teleportar para qualquer local no tabuleiro ao custo de 1 ação; o Ranger pode atacar inimigos adjacentes à sua localização ao custo de 1 ação por ataque; o Clérigo pode curar a Corrupção dos locais gastando 1 ação e rolando um dado, se tirar 5 ou 6, remove o cristal que marca a Corrupção;

- Criar um Portal: custa 1 ação (são necessárias determinadas cartas para realizar isto);


- Convocar uma batalha contra um general: custa 1 ação. Aqui o jogador enfrenta o general e quaisquer heróis que esteja no mesmo local, podem entrar na batalha junto (sem gastar ações). Na luta os jogadores anunciam qual será a ordem da batalha (qual a ordem de ataque dos heróis) e, por sua vez, os heróis participantes anunciam quais cartas utilizarão no combate. As cartas dão aos heróis 1 ou 2 dados para rolar durante o combate. Não há limite de cartas que podem ser utilizadas na luta (mas cada jogador tem limite de 10 cartas em mãos). Os generais têm uma determinada quantidade de vida e um número que precisa ser alcançado em cada dado para que receba um ferimento. Caso seja reduzido a zero pontos de vida, o general está eliminado e o herói que deu o golpe final, fica com a ficha do general, utilizando o verso da mesma (que lhe dá uma habilidade especial quando enfrentando os servos de tal general) Caso o general sobreviva, todos os heróis envolvidos tomam 3 pontos de dano e são enviados para a Cidade Monarca - o turno do jogador que convocou a batalha é encerrado, mesmo que ele ainda tenha ações sobrando;

- Curar-se: custa 1 ação. Se for realizada fora da capital, cura 2 pontos de vida (que só poderão ser utilizados no turno seguinte do herói - o número de pontos de vida é o número de ações disponíveis que o herói tem). Se for realizada na capital, o herói cura-se completamente.

Após realizar suas ações do herói, o jogador compra 2 cartas e vem a fase da Escuridão Espalha-se: revela-se 2, 3 ou 4 cartas, dependendo da fase em que a guerra está (Começo da Guerra: quando todos os generais estão vivos; Meio da Guerra: quando há 3 ou 2 generais ainda vivos; Final da Guerra: quando há somente 1 general vivo). Essas cartas colocam servos no tabuleiro nas localidades indicadas na mesma e indicam um possível movimento de determinado general.

Os heróis vencem se eliminarem os 4 generais. E perdem se uma de três situações ocorrerem:
- se todos os servos de carta cor estão no tabuleiro;
- se o número de Corrupção chega ao limite;
- se algum dos generais alcança a Cidade Monarca.

O jogo prossegue até que uma dessas quatro condições ocorram. Daí é correr para o abraço da doce vitória, ou amargar a derrota contra a Escuridão.


A dinâmica do jogo:

A dinâmica do jogo lembra, em certas mecânicas, o bem mais famoso Pandemic. Os pontos mais destacados são:

- Existem 4 oponentes (doenças em um, generais em outros) a serem eliminados para que a vitória ocorra;
- Jogadores precisam acumular cartas para eliminar os 4 oponentes;
- Gasto de pontos de ação para realizar atividades no tabuleiro;
- Jogador compra 2 cartas ao final de seu turno;
- Cartas especiais que podem ser utilizadas sem o gasto de ações e usadas mesmo no turno de outros jogadores;
- Ativação de cartas "ruins" ao final de cada turno, colocando doenças/servos nos locais indicados;
- Caso haja doenças/servos demais em determinado local e mais doenças/servos devem ser colocados, estes espalham-se para cada localidade adjacente;
- Condições de vitória (eliminar os 4 oponentes) e certas condições de derrota (sem servos/sem cubos de doença, por Corrupção/Outbreaks);
- Personagens com habilidades especiais.

Mas há diferenças, e para mim elas são ainda mais significativas do que as semelhanças:

- Cada General é derrotado de forma diferenciada (eles possuem quantidades diferentes de vida, exigem números diferentes nos dados e possuem habilidades únicas);
- Os servos também são diferentes (na quantidade exigida para um "outbreak" e no número necessário para rolar no dado para eliminá-los);
- O acúmulo de cartas é diferente, pois não há quantidade mínima nem máxima exigida por um General: os jogadores que devem decidir quantas são suficientes;
- Cada herói possui três habilidades únicas;
- A aleatoriedade dos dados, presente tanto nos combates contra os servos, quanto contra os Generais e em certas Missões;
- Uma das condições de derrota (um dos generais alcançar a Cidade Monarca).

Essas diferenças tornam, para mim, o Defenders of the Realm um jogo a parte do Pandemic, se não tanto em regras, na sensação da partida. Enquanto eu jogava eu não pensei em nenhum momento: "É o Pandemic de fantasia medieval!"

A aleatoriedade dos dados acrescenta uma boa dose de emoção, além daquela presente no Pandemic, que por si só já é um jogo com excelente nível de tensão. As três habilidades especiais conjugam-se de tal forma que todos os personagens podem participar de todas as áreas do jogo, diferente do Pandemic onde sua profissão determinada basicamente a maior parte de suas ações (o Médico terá que sair removendo cubos de doença, o Pesquisador será um passador de cartas antes de qualquer coisa, e assim em diante), porque o Pandemic é um jogo "apertado": não há espaço para experiências, ou para alguém não fazer aquilo que sua profissão faz melhor. O Defenders of the Realm é mais "solto", aberto o suficiente para que, a maneira com que o Clérigo foi jogado numa partida pode ser enormemente diferente do que em outra, ainda que, claro, as habilidades sejam um guia - usualmente será melhor utilizar um personagem de forma que suas habilidades especiais sejam bem aproveitadas.

Ademais, a relação com as cartas é também diferente: como não existe um mínimo, nem um máximo, o momento de usá-las vem da decisão de um ou mais jogadores. No Pandemic, se você tem 5 cartas azuis, você irá o mais rápido possível até um centro de pesquisa para descobrir a cura. No Defenders of the Realm ter 5 cartas azuis pode não significar o mesmo: talvez queira-se sete, já que os dados podem ser uns cretinos. Pode-se esperar que outros heróis consigam mais cartas da mesma cor, de forma a ocorrer um confronto unido contra o general azul. Seria como se no Pandemic uma cura só pudesse ser encontrada assim: é preciso ir até um centro de pesquisa e rolar dados até a soma de todos os números chegar a 30. Se você rolar menos do que 30, a cada rodada o número irá cair em 3. Então, com cinco cartas, você rolou 17. Mas agora é preciso que outra pessoa vá num centro e use cartas da mesma cor para rolar os 13 pontos restantes, ou a doença irá sofrer mutação, e a cura vai ficar mais difícil (o 17 cairá para 14, depois 11, depois 8, etc). E, pior, ao tentar encontrar a cura, e falhar, você ficará doente, e perderá 2 de suas 4 ações até que se recupere. Então mais vale organizar os jogadores de forma que todos vão até um centro ao mesmo tempo, combinando rolagens, para que o 30 seja alcançado de uma só vez. É basicamente isso que é preciso no Defenders of the Realm - pois os generais recuperam vida com a passagem dos turnos, além de ferir os heróis, custando-lhes ações e/ou cartas.


Então a estratégia no Defenders of the Realm é mais complexa, demandando mais dos jogadores, sem perder nada do nível de cooperação exigido para o sucesso. Por sinal, somando tema + dados, o Defenders of the Realm tem outro "primo", que é o Darkest Night (First edition). Em ambos os jogos:

- está presente o tema de fantasia medieval;
- são cooperativos;
- os personagens possuem classe arquetípicas e habilidades únicas;
- rola-se dados para enfrentar os monstros;
- se um local de segurança é perdido (a Cidade Monarca em um, o Monastério no outro) os jogadores perdem;
- o vilão move-se;
- é necessário acumular algo (cartas num, chaves/Relíquias noutro) para vencer;
- é possível os personagens serem feridos e eliminados, requirindo ações para se recuperarem.

Essas semelhanças são, ao meu ver, muito mais próximas em sensação de jogo. A duração de uma partida do Defenders of the Realm também é mais próxima de uma do Darkest Night (First edition). Ou seja, o Defenders of the Realm é primo de primeiro grau do Darkest Night (First edition) e de segundo grau do Pandemic.


A avaliação:

Como estou focando em comparações, vou continuar aqui. Assim, vou avaliar alguns vários pontos:

Tema
Pandemic - existe, mas não é lá grande coisa;
Darkest Night (First edition) - não é dos mais temáticos, as cartas não têm textos de ambientação, e as criaturas não são particularmente diferentes entre si;
Defenders of the Realm - entre os três, é o que mais tem: os personagens e vilões têm história, e as missões têm títulos que dão certa ambientação ao que requerem e o que cedem de benefício. Existem ainda lógicas temáticas - viajar a cavalo é mais rápido do que a pé, por exemplo.
Ponto para: Defenders of the Realm

Mecânicas:
Pandemic - veio antes e é certamente o mais elegante e polido dos três;
Darkest Night (First edition) - é o que mais peca nas regras, exigindo liberdades temáticas para funcionar e contando com certas esquisitices que devem ser apenas aceitas;
Defenders of the Realm - é o intermediário entre os três: as regras são mais emboladas que no Pandemic, e o manual deixa bastante a desejar, porém as ações são razoavelmente simples e não há muitas arestas para reclamar.
Ponto para: Pandemic

Facilidade de aprendizado
Pandemic - este não é considerado um dos melhores jogos de gateway por nada - fácil de explicar e de jogar;
Darkest Night (First edition) - o mais complicado de ensinar, mesmo tendo somente 1 ação por turno a ser realizada, porque o turno de cada jogar não é intuitivo exatamente dos mais intuitivos;
Defenders of the Realm - novamente é o intermediário entre os três: as regras básicas são simples de ensinar, mas cada classe tem suas regras únicas - seja modificando uma regra/ação que já existe, seja incluindo uma ou mais possibilidades.
Ponto para: Pandemic

Tempo de duração da partida:
Pandemic - entre 45 a 60 minutos;
Darkest Night (First edition) - entre 120 a 180 minutos;
Defenders of the Realm - entre 90 a 150 minutos.
Ponto para: Pandemic (é porque prefiro jogos rápidos)

Componentes:
Pandemic - quase tudo OK e nada demais (cubos, peões sem graça, tabuleiro, etc);
Darkest Night (First edition) - têm pontos altos - as pecinhas, cartas -, e baixos - tabuleiro, peças dos personagens;
Defenders of the Realm - nada fica a desejar: as fichas dos personagens são grossas como o tabuleiro, por sinal o tabuleiro é grande. As miniaturas são bem feitas (todos os heróis têm miniaturas diferentes, e os generais também, mas todos os servos são iguais, muda-se somente a cor deles) e as cartas e peças de boa qualidade. Claro que, no entanto, paga-se a mais por ter miniaturas, sendo este o jogo mais caro dos três.
Ponto para: Defenders of the Realm

Arte:
Pandemic - as cartas de localidades são legais, com informações das cidades. Tudo mais é de aborrecido para sem sal (as cartas de profissões);
Darkest Night (First edition) - linda em tudo;
Defenders of the Realm - boa nas fichas dos personagens e dos vilões. O tabuleiro é feio - uns círculos em cores berrantes para indicar os locais e os nomes estão numa fonte que não facilita a leitura. Parece coisa dos anos 70-80.
Ponto para: Darkest Night (First edition)

Número de jogadores:
Pandemic - de 1 a 4 pessoas;
Darkest Night (First edition) - de 1 a 4 pessoas;
Defenders of the Realm - de 1 a 4 pessoas.
Ponto para: Todos (ou nenhum)

Re-jogabilidade:
Pandemic - alta, mas, para mim, a sensação do jogo é sempre a mesma, ainda que a partida em si não tenha sido igual a nenhuma outra;
Darkest Night (First edition) - considerando eventos, explorações, quantidade de classes e de habilidades únicas de cada uma delas, movimento e aparição de criaturas, este é aquele que parece ter o maior potencial de se manter "fresco" mesmo depois de várias partidas;
Defenders of the Realm - novamente parece ser o intermediário - a aparição dos servos e movimento dos generais é aleatório, vindo da compra de cartas de Escuridão Espalha-se; as missões são sorteadas, e, claro, tem as rolagens de dados.
Ponto para: Darkest Night (First edition)

Preço:
Pandemic - US$ 39.99;
Darkest Night (First edition) - US$ 37.99;
Defenders of the Realm - US$ 84.99.
Ponto para: Hum... difícil dizer. Vou dar pontos para todos, partindo do princípio que o valor de um jogo é diferente de seu preço e varia entre cada pessoa. Além disso, vou crer que as empresas cobram o justo.

Resumo:


Prós
- Alta qualidade dos componentes;
- Boa re-jogabilidade;
- Regras não muito complexas;
- Tema efetivamente utilizado (mas não é super temático também).

Neutros
- Duração da partida entre 90 a 150 minutos;
- Certa dependência de linguagem (Inglês) - presente na descrição das habilidades dos personagens, nos requisitos e benefícios das Missões e na descrição dos efeitos das cartas especiais.

Contras
- Caixa gigante e tremendo custo envolvendo importação;
- Manual fraco e incompleto.

E é isso!

Abs,


Créditos das imagens (em ordem):
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rsolow
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Re: Defenders of the Realm - impressões & comparações

Mensagem por Binderman em Sex Ago 31, 2018 9:16 am

Excelente, sempre quis saber um pouco mais sobre o Darkest e o Defenders. De quem é o Defenders?

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Re: Defenders of the Realm - impressões & comparações

Mensagem por tiagovip em Sex Ago 31, 2018 12:56 pm

@Binderman escreveu:  Excelente, sempre quis saber um pouco mais sobre o Darkest e o Defenders. De quem é o Defenders?

É uma partida antiga. O Defenders era do saudoso Anjo!

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Re: Defenders of the Realm - impressões & comparações

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