Incan Gold - resenha

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Incan Gold - resenha

Mensagem por tiagovip em Ter Out 06, 2015 3:45 pm

Chegar até ali foi mais do que complicado. Foi uma coleção de erros que resultou em atrasos, perdas de material e desistência de parte da equipe. Ali, diante daquele impressionante conjunto de construções que pulsavam uma noção indescritível de proibida antiguidade, a expedição esqueceu-se dos problemas.

A montagem do acampamento ocorreu em um clima quase frenético, tal era o excitamento presente em todos para iniciarem a exploração. Com o perímetro definido e limpo, as barracas foram montadas enquanto os líderes da expedição discutiam sobre a melhor rota para pesquisar. Os mapas não eram de grande utilidade, então optaram por uma estratégia segura: verificar primeiro as entradas mais próximas, deixando o maior templo por último. Nem todos concordaram - eram uma equipe na viagem, porém esta era formada por times vindos de locais diversos, representando interesses próprios, assim havia disputa pelas melhores descobertas.

Todos avançaram pelo portal rachado, afastando a vegetação que tomara o local tanto antes. Restavam marcas fascinantes da civilização que florescera ali, registros quase apagados pelo tempo. Esse foi o foco da atenção da equipe, ao menos até que as primeiras gemas foram encontradas. Houve discussão sobre quem deveria guardar as joias. Adiante, mais tesouros, em particular um pequeno ídolo, feito de ouro e rubi. O bate-boca ficou perto de chegar às vias de fato. Decidiram-se por manter a relíquia onde estava, apanhando-a no retorno - foram vários os resmungos quando desta resolução.

Após um deslizamento de pedras em uma passagem lateral, alguns se entreolharam. Nenhum desistiu. Numa área inundada do corredor haviam cobras venenosas - passar foi um desafio, porém todos mantiveram-se firmes no propósito de encontrar o que mais estava escondido ali. Quando o túnel mostrou-se barrado por teias de aranha, algumas do tamanho de uma mão aberta, os exploradores pararam e começaram a conversar até que notaram que um dos times escapulira do templo logo após as cobras. Mais de um reclamou e fez troça sobre a coragem dos que fugiram. Mais de um, sim, mas não todos, pois também mais de pegou-se desejando ter sido ele a regressar.

A ganância os empurrou adiante até que um novo deslizamento os pegou em cheio. Fugiram de lá como foi possível, deixando para trás tudo o que fora até então coletado. Fora do templo viram o sorriso irônico do time que saíra antes. Aquilo estava longe de terminar bem para todos.



INCAN GOLD - O JOGO



Imagem por l10n0fjudah


Geral:
Incan Gold é um jogo em que os participantes assumem o papel de exploradores tentando desbravar os templos outrora perdidos dos incas. Mas essa não é uma tarefa simples, pois se as riquezas são várias, os perigos também são muitos: aranhas, fogo, cobras e até múmias! Valerá arriscar-se para ir mais fundo, em busca de maiores tesouros, ou compensará voltar cedo, garantindo o que já foi encontrado?


Regras:
O jogo ocorre por 5 rodadas. Dentro de cada rodada, a pilha de cartas de tesouros e perigos é embaralhada. Uma carta por vez é revelada. Antes de ser aberta a segunda carta, os jogadores devem escolher entre ficar no tempo e continuar explorando, ou retornar, carregando consigo o que foi achado.

As cartas dividem-se em três tipos:

- Tesouros: têm valores numéricos, e o número é dividido pelo número de jogadores ainda dentro do templo. O resultado da divisão tem que ser um número inteiro. Assim, se a carta for de valor 8 e houver 5 exploradores dentro do templo, cada um levará 1 de tesouro, enquanto os 3 restantes permanecerão, pelo momento, na carta;

- Relíquias: as três primeiras têm valor de 5, as duas últimas têm valor de 10. O valor delas não é divisível;

- Perigos: existem em 5 tipos (cobras, deslizamentos, aranhas, fogos e múmias) e cada tipo tem 3 cartas iguais. A primeira carta de qualquer um dos tipos a ser revelada não causa mal algum imediatamente, porém se a segunda carta de um mesmo tipo for revelada, todos os exploradores ainda dentro do templo perdem tudo que coletaram. Uma das cartas do perigo que apareceu pela 2a vez é removida, assim o mesmo perigo terá menos chance de ocorrer novamente.

Voltando para as decisões dos jogadores. Notou que, usualmente, resta mais tesouros nas cartas do que cada jogador coleta individualmente? Pois quem sair, divide o que resta nas cartas somente com quem fugiu no mesmo momento. Portanto, se o jogador foge sozinho, pega tudo que houver - e, por sinal, esta é a única maneira de pegar as relíquias, já que o valor delas não pode ser dividido. O tesouro, uma vez "seguro" fora do templo, não é mais afetado pelas explorações seguintes - o jogador não mais o perderá.

Por outro lado, esperar os outros fugirem, também pode compensar para quem permanece, já que haverá menos pessoas para dividir os tesouros. Uma carta de valor 12 dá somente 1 de tesouro quando há oito exploradores, mas pode valer 4 (para 3) ou 6 (para 2). Porém, se dois perigos iguais surgirem...

Bem, essa é a ideia: pesar os prós e os contras. Pressionar a sorte até o limite (ou além).

Ao final de 5 rodadas, vence quem tiver acumulado mais tesouro!



Imagem por EndersGame


Profundidade:
Praticamente não há curva de aprendizado. Hum... Ok, tem, mas é quase uma linha reta. É realmente um jogo de festa, que não exige muito esforço mental e não tem pouca relação com qualquer nível de experiência anterior, seja com o própria Incan Gold, seja com outros jogos. Aquele que chegou no final da explicação das regras e decidiu "aprender na marra", tem tanta chance de vencer quanto quem tem 200 partidas no currículo. Aceite isso e seja feliz.

Incan Gold não é um jogo só de sorte, mas é um jogo em que a sorte tem um enorme papel.


Tema:
Bem... é assim: é possível abstrair o suficiente para se sentir explorando um templo antigo por onde nenhum homem andou por séculos. Mas isso é alheio às regras, pois estas não fazem sentido temático. Dois perigos significam que o explorador morreu? Então a exploração do templo seguinte é feito por outra pessoa que encontrou a tenda abandonada do outro, talvez até com algum tesouro de outra exploração mais afortunada do que aquela que vitimou o dono anterior, e decidiu usá-la? Ou o explorador foge apressado e perde os tesouros? Usar bolsos com zíper pode ser uma excelente ideia.

Enfim, o tema é uma desculpa para a diversão. Pois este mesmo jogo já foi o Tensão Total / Risco Total, em que exploram-se os tesouros do fundo do mar; foi também o Diamant, no qual exploram-se minas em busca de riquezas deixadas para trás. Temas parecidos sem serem iguais, com basicamente (mas não exatamente) as mesmas regras.


Produção:
Eu tenho a edição da Gryphon Games e ela é muito bem-feita. As cartas são de excelente qualidade, com alta gramatura. As pedras (os tesouros) são pequenas peças de resina colorida. Na edição vem 8 "tendas" feitas em papel que servem para esconder os tesouros adquiridos, e dão uma aparência curiosa às partidas que certamente atrairá olhares interessados. A caixa é resistente e mantém o nível do restante dos componentes.

Não há uma grande quantidade de componentes, e é fácil de ver como seria fácil fazer uma versão caseira do jogo (já vi várias, com temas diferentes). No entanto, podendo, optem pela edição comercial!



Imagem por Gryphon Eagle


Diversão:
Ah, este é o ponto mais relevante. O jogo proporciona bastante diversão principalmente por dois motivos:

a) ele acomoda até 8 participantes;

b) ele é rápido, mesmo com 8 participantes.

As ações de escolher ficar ou voltar são simultâneas, então mais pessoas não agrega tempo de duração à partida, o que é o ideal, já que o Incan Gold vale-se da máxima de que quanto mais pessoas, melhor. As regras simples permitem que qualquer pessoa, independente do interesse prévio em jogos de tabuleiro, entenda-o e divirta-se. O mesmo é válido para crianças (acho que a partir de 06 anos, mas não sou um especialista nisso).

Todas as vezes que o joguei foram divertidas. Quanto o estreei, na mesma noite, enquanto eu jogava outras coisas, vi que as pessoas montaram outras mesas e teve três ou quatro partidas de Incan Gold na mesma noite. O mesmo ocorreu em outras noites de jogos. Isso, meus leitores, é um claro sinal de um jogo divertido, onde a experiência importa mais do que o resultado.


Vale a compra?
Sim, vale sim. Mesmo os jogadores mais ranzinzas, devem ter algum espaço para jogos que sirvam para diversos grupos, que seja rápido e que, de preferência, proporcione um bom entretenimento enquanto dure.

O custo de US$ 24.95 não é dos mais em conta, considerando um jogo do tipo filler (aqueles que nunca são a atração principal, porém servem para aqueles momentos quando nem todos ainda chegaram, ou quando alguém tem 20 minutos para ir embora e quer jogar algo mais), mas justifica-se pela qualidade dos componentes e, claro, pela ideia embutida (o jogo em si).

Vale dizer que a dupla responsável pelo jogo é formada pelo Bruno Faidutti, conhecido pelo Citadels, e o Alan R. Moon, que fez um certo Ticket to Ride. Ou seja, o Incan Gold tem pedigree.

E é isso!

Abs,

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Re: Incan Gold - resenha

Mensagem por tiagovip em Ter Out 06, 2015 3:45 pm


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